"A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria". Paulo Freire

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

CUT comemora 27 anos e lança TVweb, rádioweb e novo portal

Diante do auditório do Sindicato dos Bancários, na região central de São Paulo, tomado por lideranças cutistas e representantes de meios de comunicação progressista, a Central Única dos Trabalhadores deu mais um passo na última sexta-feira (20) em defesa da democratização do acesso à informação no país.
O lançamento do novo portal da CUT, que agora conta também com rádioweb e TVweb, integrará os trabalhadores e os movimentos sociais na produção de conteúdo ignorado pelos grande latifundiários da mídia nacional. "Nossa produção se dará a partir da articulação dos sindicatos e dos movimentos sociais", explicou a secretária de comunicação da central, Rosane Bertotti.

O evento que também comemorou o aniversário da CUT, fundada em 28 de agosto de 1983, e já foi transmitido ao vivo pelo site, começou com um debate sobre mídia e eleições em 2010.

Antes do início das discussões, um dos coordenadores da Rede Brasil Atual, Paulo Salvador, lembrou o investimento que o movimento sindical tem realizado para levar suas idéias à sociedade. Nos últimos anos, a criação do programa de rádio Jornal Brasil Atual e do impresso de mesmo nome, da Revista do Brasil, da Rede Brasil Atual e da TV dos Trabalhadores (TVT), que será lançada na próxima segunda (23), mostraram que era possível virar a página da informação. "Os trabalhadores precisam ter espaço para dizer o que pensam, porque sem uma nova mídia não vamos construir um novo Brasil", falou.

Presidente da CUT, Artur Henrique, fez um balanço da história de luta e organização da classe trabalhadora para romper as barreiras impostas pelos meios de comunicação hegemônicos e indicou quais devem ser os passos seguintes. "Primeiro, devemos articular o conjunto de experiências já existentes e fazer com que essas informações cheguem às bases. Depois, precisamos ampliar estas informações e finalmente, buscar a sustentabilidade a longo prazo."

Diretor da rede Telesul, Carlos "Beto" Almeida, ressaltou a dívida informativa e cultural do país com a população, apontando estatísticas da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que mostram o Brasil com menor número de leitores de jornal do que a Bolívia e a quantidade incipiente de bibliotecas e cinemas em território nacional. "Precisamos tomar parte nesse espaço de disputa de poder. Na verdade, a grande imprensa é que se mostra uma arma de destruição em massa de inteligência e consciência", definiu.

Almeida falou também tratou do controle do poder empresarial, do econômico e dos anunciantes, com destaque para a distribuição das verbas públicas. "Temos 58% dos recursos públicos para comunicação nas mãos da Globo. Já 30% do Plano Nacional de Livros Didáticos fica com a editora Abril. Recentemente havia 14 páginas de propaganda da Petrobrás na Veja, valor que certamente sustentaria duas ou três rádios comunitárias. Não podemos abrir mão de pleitear a participação na distribuição desse recursos, queremos um processo de desenvolvimento da comunicação para a classe trabalhadora", refletiu.

Citando a aprovação recente do Estatuto da Igualdade Racial, ele comentou qual deve ser a missão da CUT, que enfrenta no Brasil ainda mais obstáculos que em outros países da América Latina, como México, Argentina, Venezuela e Bolívia, onde já existem jornais públicos para realizarem contraponto à palavra oficial do monopólio. "O papel da TV, da rádio e do site da CUT será dar uma explicação viva do que representam os temas distantes dos grandes meios de comunicação para fazer com que nos tornemos um país mais justo."

Lançamento e redes sociais – Por volta do meio-dia, Rosane apresentou oficialmente a rede CUT. Ela afirmou que o novo portal estreitará o contato da entidade com a rotina dos trabalhadores por meio de debates, entrevistas e prestação de serviço.

Outro avanço é a ampliação do diálogo com as estaduais da CUT, que a partir de agora terão autonomia para publicar vídeo e áudio no endereço da nacional. O plano de comunicação da central inclui ainda a construção de sites para as estaduais que ainda não possuem e a reconstrução para aquelas que já tem uma página na web.

Mais um ponto importante mencionado foi a atuação da CUT junto às redes sociais, que também será ampliada, da mesma forma que a parceria com os movimentos sociais e com rádios e TVs comunitárias.
 
Fonte: www.observatoriosocial.org.br 

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Desigualdade social no Brasil - Frei Betto


[Frei Betto] Desigualdade social no BrasilEm artigo publicado no Brasil de Fato no mês de agosto, Frei Betto analisa o relatório da ONU divulgado em julho que aponta o país como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo.Relatório da ONU (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Pnud), divulgado em julho, aponta o Brasil como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo. Quanto à distância entre pobres e ricos, nosso país empata com o Equador e só fica atrás de Bolívia, Haiti, Madagáscar, Camarões, Tailândia e África do Sul. 

Aqui temos uma das piores distribuições de renda do planeta. Entre os 15 países com maior diferença entre ricos e pobres, 10 se encontram na América Latina e Caribe. Mulheres (que recebem salários menores que os homens), negros e indígenas são os mais afetados pela desigualdade social. No Brasil, apenas 5,1% dos brancos sobrevivem com o equivalente a US$ 30 por mês (cerca de R$ 54) O percentual sobe para 10,6% em relação a índios e negros.

Na América Latina, há menos desigualdade na Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai. A ONU aponta como principais causas da disparidade social a falta de acesso à educação, a política fiscal injusta, os baixos salários e a dificuldade de dispor de serviços básicos, como saúde, saneamento e transporte.

É verdade que nos últimos 10 anos o governo brasileiro investiu na redução da miséria. Nem por isso se conseguiu evitar que a desigualdade se propague entre as futuras gerações.

Segundo a ONU, 58% da população brasileira mantêm o mesmo perfil social de pobreza entre duas gerações. No Canadá e países escandinavos, esse índice é de 19%.
O que permite a redução da desigualdade é, em especial, o acesso à educação de qualidade. No Brasil, em cada grupo de 100 habitantes, apenas nove possuem diploma universitário. Basta dizer que, a cada ano, 130 mil jovens, em todo o Brasil, ingressam nos cursos de engenharia. Sobram 50 mil vagas. E apenas 30 mil chegam a se formar.
Os demais desistem por falta de capacidade para prosseguir os estudos, de recursos para pagar a mensalidade ou necessidade de abandonar o curso para garantir um lugar no mercado de trabalho.
Nas eleições deste ano votarão 135 milhões de brasileiros. Dos quais, 53% não terminaram o ensino fundamental. Que futuro terá este país se a sangria da desescolaridade não for estancada? Há, sim, melhoras em nosso país. Entre 2001 e 2008, a renda dos 10% mais pobres cresceu seis vezes mais rapidamente que a dos 10% mais ricos. A dos ricos cresceu 11,2%; a dos pobres, 72%. No entanto, há 25 anos, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esse índice não muda: metade da renda total do Brasil está em mãos dos 10% mais ricos do país. E os 50% mais pobres dividem entre si apenas 10% da riqueza nacional.
Para operar uma drástica redução na desigualdade imperante em nosso país é urgente promover a reforma agrária e multiplicar os mecanismos de transferência de renda, como a Previdência Social. Hoje, 81,2 milhões de brasileiros são beneficiados pelo sistema previdenciário, que promove de fato distribuição de renda.
Mais da metade da população do Brasil detém menos de 3% das propriedades rurais.
E apenas 46 mil proprietários são donos de metade das terras. Nossa estrutura fundiária é a mesma desde o Brasil império! E quem dá emprego no campo não é o latifúndio nem o agronegócio, é a agricultura familiar, que ocupa apenas 24% das terras mas emprega 75% dos trabalhadores rurais.
Hoje, os programas de transferência de renda do governo incluindo assistência social, Bolsa Família e aposentadorias representam 20% do total da renda das famílias brasileiras. Em 2008, 18,7 milhões de pessoas viviam com menos de 1/4 do salário mínimo. Se não fossem as políticas de transferência, seriam 40,5 milhões. Isso significa que, nesses últimos anos, o governo Lula tirou da miséria 21,8 milhões de pessoas.
Em 1978, apenas 8,3% das famílias brasileiras recebiam transferência de renda. Em 2008 eram 58,3%.
É uma falácia dizer que, ao promover transferência de renda, o governo está sustentando vagabundos. O governo sustenta vagabundos quando não pune os corruptos, o nepotismo, as licitações fajutas, a malversação de dinheiro público. Transferir renda aos mais pobres é dever, em especial num país em que o governo irriga o mercado financeiro engordando a fortuna dos especuladores que nada produzem. A questão reside em ensinar a pescar, em vez de dar o peixe. 
Entenda-se: encontrar a porta de saída do Bolsa Família. Todas as pesquisas comprovam que os mais pobres, ao obterem um pouco mais de renda, investem em qualidade de vida, como saúde, educação e moradia. O Brasil é rico, mas não é justo. 

A Fundação Interamericana (Inter-American Foundation – IAF) convida organizações da sociedade civil em todo o Brasil a apresentar propostas


A IAF é um órgão independente do Governo dos Estados Unidos que apóia grupos de base comunitária e organizações não-governamentais em toda a América Latina e Caribe. Seu foco é conceder doações para organizações que buscam implementar soluções inovadoras para reduzir a pobreza. A IAF investe diretamente na criatividade e compromisso de pessoas comuns dedicadas ao trabalho em prol de mudança positiva - o que a IAF chama de desenvolvimento de base.

A IAF apóia primordialmente dois elementos básicos do desenvolvimento econômico: geração de renda e melhores condições de vida. Os projetos financiados promovem, por exemplo, uma agricultura mais lucrativa, microempresas e empreendimentos solidários; proporcionam treinamento em aptidões vitais para um emprego bem remunerado; oferecem acesso a recursos hídricos, serviços básicos e habitação adequada, possibilitando às pessoas canalizarem sua energia para um trabalho produtivo.

Ao conceder suas doações, a IAF tem como objetivo assegurar a participação de populações indígenas, afrodescendentes e deficientes, bem como incentivar a sua inclusão na vida econômica e em processos políticos e sociais das respectivas comunidades. A IAF também busca apoiar projetos que estabeleçam parcerias com outras organizações da sociedade civil, empresariais e governamentais, e que enfoquem o fortalecimento de práticas democráticas.


A doação da IAF tem duração de aproximadamente um a três anos, e são por um montante total entre US$25.000 e US$400.000. Cada organização poderá apresentar apenas uma proposta por ano. Não há data limite para envio de propostas - elas serão analisadas na medida em que forem recebidas.
A IAF procura o seguinte nas propostas que financia:
  • Soluções inovadoras para problemas de desenvolvimento;
  • Uso criativo dos recursos comunitários;
  • Uma gama diversa de vozes da comunidade no desenvolvimento e execução do projeto;
  • Participação substancial dos beneficiários na:
    1. identificação do problema abordado;
    2. método escolhido para resolvê-lo;
    3. formulação do projeto;
    4. gestão e avaliação de atividades;
  • Parcerias com o governo local, comunidade empresarial e outras organizações da sociedade civil;
  • Potencial para fortalecer todas as organizações participantes e suas parcerias;
  • Viabilidade;
  • Indicação de sustentabilidade;
  • Contribuições de contrapartida do proponente, dos beneficiários e de outras fontes;
  • Potencial para gerar aprendizagem;
  • Resultados mensuráveis;
  • Comprovação da capacidade melhorada de autogovernança.
Os seguintes casos não se qualificam para receber doações:
  • Propostas apresentadas ou enviadas por órgãos públicos;
  • Propostas de indivíduos;
  • Propostas apresentadas ou enviadas por entidades fora do país no qual o projeto está localizado;
  • Propostas de grupos que não contribuem com recursos financeiros ou em bens e serviços para as atividades propostas;
  • Propostas associadas com partidos políticos ou movimentos partidários;
  • Atividades puramente religiosas ou sectárias;
  • Propostas voltadas apenas para pesquisa;
  • Projetos assistencialistas de qualquer espécie, instituições de caridade. A IAF não apóia projetos que não apresentem mecanismos claros de sustentabilidade das ações previstas após o termino da doação.
  • Propostas que visam apenas construção e/ou compra de equipamento;
  • Pedidos de doações inferiores a US$25.000 ou superiores a US$400.000;
  • Projetos cujo objetivo não seja incentivar a capacidade compartilhada dos beneficiários para melhorar, por si próprios, suas condições de vida.

Como solicitar um
  • O formulário lhe guiará para preencher as 3 partes requeridas da proposta:
    1. Folha de apresentação: Preencha as informações requeridas.
    2. Descrição do Projeto: As respostas às perguntas nessa parte não deverão exceder 10 páginas em espaço duplo, fonte 12.
    3. Orçamento: Favor seguir o modelo apresentado.
  • As propostas que excederem os parâmetros acima serão rejeitadas. Serão também desqualificadas propostas que não incluírem todas as informações solicitadas. Favor não incluir anexos.
  • Propostas podem ser enviadas em português, espanhol ou inglês, e serão aceitas durante todo o ano.
  • Ao finalizar a sua proposta, enviá-la por e-mail para: proposals@iaf.gov. Favor especificar o país “Brasil” na linha de assunto do e-mail. Não serão aceitas propostas por fax. Caso prefira enviar sua proposta por correios, o endereço da IAF é:
    Inter-American Foundation
    Program Office
    901 N. Stuart St. 10th Floor
    Arlington, VA 22203
    EUA
  • Envie a sua proposta apenas uma vez e espere receber a confirmação de recebimento por e-mail antes de contatar a IAF. Caso a sua proposta não for aceita, a sua organização será notificada dentro de 6 meses contados a partir da data de apresentação da proposta. Um pequeno número de propostas será selecionado para receber uma visita ao local e ser avaliado mais extensamente pela IAF. Dependendo da complexidade do projeto, a analise de propostas bem sucedidas pode levar até 12 meses.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Chamada Pública para Talentos do Brasil Rural – Agricultura Familiar


As propostas podem ser enviadas até 27 de setembro

De 06 a 27 de setembro de 2010, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Ministério do Turismo e o Sebrae/RS, com apoio da Agência de Cooperação Técnica Alemã (GTZ), convidam empreendimentos, por meio de chamada pública, a participarem do “Projeto Talentos do Brasil Rural: Turismo e Agricultura Familiar a caminho dos mesmos destinos”, que visa inserir produtos e serviços da agricultura familiar no mercado turístico. Esta chamada selecionará 101 empreendimentos da agricultura familiar para ofertarem produtos para meios de hospedagem, bares, restaurantes e lojas de artesanato.

O projeto é direcionado para os mercados de 12 capitais brasileiras (Belo Horizonte/BH, Brasília/DF, Cuiabá/MT, Curitiba/PR, Fortaleza/CE, Manaus/AM, Natal/RN, Porto Alegre/RS, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA e São Paulo/SP) e seus respectivos entornos. Serão investidos mais de R$ 3 milhões para aprimorar os empreendimentos selecionados.
O formulário com a proposta de participação no “Talentos do Brasil Rural” deverá ser preenchido e enviado em duas cópias, sendo uma em meio físico, para Sebrae/RS – Projeto Talentos do Brasil Rural - , Rua Sete de Setembro, 555, CEP 90010-190, Porto Alegre/RS, A/C: Amanda Paim, e uma em meio digital para o endereço eletrônicoeditaltalentosdobrasilrural@sebrae-rs.com.br, até as 18 horas do dia 27 de setembro de 2010.

As propostas em meio físico poderão ser entregues pessoalmente ou enviadas por SEDEX, no endereço anteriormente referido, sendo que no caso de SEDEX, será considerado como data de recebimento o dia da postagem. Os resultados serão publicados a partir do dia 25 de outubro de 2010.

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domingo, 29 de agosto de 2010

Chamada Pública de Projetos junto às Mulheres Indígenas

Entidades e associações tem até 4 de outubro para enviar projetos que envolvam a melhoria da qualidade de vida de povos indígenas.

A Carteira Indígena lança, em 19 de julho, a Chamada Pública de Projetos junto às Mulheres Indígenas. A iniciativa é um reconhecimento a necessidade de políticas públicas sensíveis às questões de gênero considerando o potencial das mulheres indígenas na condução de projetos que envolvem a melhoria da qualidade de vida dos seus povos.

A chamada visa também fortalecer o protagonismo das mulheres indígenas na promoção da segurança alimentar e nutricional de suas comunidades e na gestão ambiental de suas terras; promover a revitalização das atividades e técnicas tradicionais desenvolvidas pelas mulheres; promover as atividades culturais relacionadas ao manejo tradicional e uso sustentável da biodiversidade local; apoiar o fortalecimento institucional e político das organizações e associações das mulheres indígenas.

Todos os projetos deverão seguir as Diretrizes da Carteira Indígena e o Roteiro para Elaboração de Projetos. A proponente dos projetos, preferencialmente, deve ser uma associação de mulheres indígenas. Porém, qualquer entidade que cumpra os requisitos apontados nas Diretrizes, poderá apresentar projetos. A data limite para postagem dos projetos é 4 de outubro de 2010.

Acesse o edital.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome