"A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria". Paulo Freire

quinta-feira, 1 de novembro de 2012


 Geralda_SG_Restrito.jpg
Rede de Educação Cidadã promove
reunião ampliada em Brasília


A Rede de Educação Cidadã (Recid) promove, entre os dias 8 e 10 de novembro, em Brasília, reunião ampliada com o objetivo de avaliar os trabalhos realizados durante o ano e planejar as atividades de 2013, destacando a comemoração dos 10 anos de atividade da Rede. Participam do encontro educadores populares de todos os estados, membros da comissão nacional e coordenadores da Recid.

A abertura da reunião, às 8h30 da próxima quinta-feira (08/11) terá a presença de Paulo Maldos, secretário nacional de Articulação Social (Secretaria-Geral da Presidência da República) e de Salete Camba, secretária nacional de Promoção e Defesa dos Diretos Humanos (Secretaria de Direitos Humanos). Ainda na parte da manhã, debates e análise de conjuntura, a cargo de Geraldo Gasparin (Escola Realidade Brasileira/MST) e Carla Dozzi (coordenadora do Departamento de Educação e Comunicação/ Minc).

Ainda na programação da reunião ampliada estão previstas atividades em grupo como o debate e organização do plano de trabalho 2013, debates sobre o Sistema Nacional de Participação Social e sobre os temas Agroecologia, combate aos agrotóxicos, roda de conversa em torno do Teatro do Oprimido e atividades culturais em homenagem aos 100 anos de Luiz Gonzaga.

A Rede
A Rede de Educação Cidadã (Recid) existe desde 2003 e surgiu ligada à mobilização social do governo federal com a missão de contribuir para superar a fome e a miséria. Couberam à Recid ações relativas à educação popular das famílias envolvidas nas políticas públicas para elevar seu grau de organização e, também, construir sua autonomia econômica, social, política e cultural.

No governo da presidenta Dilma Rousseff, a Recid, ação coordenada pela Secretaria- Geral da Presidência em parceria com a sociedade civil, tem a tarefa de envolver populações vulneráveis, entidades e movimentos sociais organizados em processos de participação social e educação em direitos humanos. Para isso, articula uma rede de movimentos sociais, entidades, ONGs, pastorais sociais e sindicatos. O objetivo é garantir a capilaridade das ações e a sua implantação em todo o território nacional.

O trabalho da Rede está presente nos 26 estados e Distrito Federal e conta com a adesão voluntária de mais de 700 educadores populares e com a ação de educadores contratados. A Rede se organiza em coletivos estaduais e são realizadas milhares de oficinas de base, cerca de duas mil a cada ano e encontros estaduais com lideranças da comunidade e dos movimentos sociais. Nesse processo estão envolvidos cerca de mil movimentos sociais, organizações da sociedade civil que investem no desenvolvimento da economia solidária, controle social das políticas públicas, organização popular, geração de trabalho e rede, dentre outros.

Saiba mais sobre a Recid: www.recid.org.br

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Organizações signatárias da Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as OSCs enviam carta ao Ministro Gilberto Carvalho


Organizações signatárias da Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as OSCs enviam carta ao Ministro Gilberto Carvalho

Brasília, 2 de julho de 2012
Sr. Ministro Gilberto Carvalho,
Nós, representantes das organizações signatárias da Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as OSCs, participantes do Grupo de Trabalho constituído pela Presidência da República para elaborar propostas de marcos regulatórios para o setor, vimos por meio desta compartilhar nosso balanço dos resultados alcançados pelo GT até aqui, assim como nossas expectativas quanto à sua continuidade.
Em primeiro lugar, destacamos o compromisso, o empenho e a competência técnica dos representantes do governo que participam do GT. Para nós, tem sido extremamente produtiva a oportunidade de compartilhar com eles a reflexão sobre os problemas e as potencialidades relacionadas à atuação das OSCs na sociedade brasileira e ao seu relacionamento com os entes estatais. Tem sido muito profícuo o diálogo que mantivemos com gestores e servidores públicos de diferentes instâncias, tanto nas reuniões do próprio GT quanto em outras oportunidades de interlocução ensejadas, como o “Seminário Internacional Marco Regulatório das OSCs”, promovido em parceria com a SGPR em novembro passado, o Seminário “Estado, Organizações da Sociedade Civil e a Cooperação nas Políticas Públicas", promovido pelo IPEA em maio e na Oficina sobre Prestação de Contas, promovida pela Casa Civil em junho.
Avaliamos que os resultados que conseguimos produzir, concretizados no conjunto de minutas sistematizadas pela SGPR, constituem bases sólidas para seguirmos adiante no aperfeiçoamento das relações das OSCs com os governos, assim como no fomento à sua inserção e atuação autônoma na sociedade brasileira.
Em relação à minuta de Projeto de Lei, principal produto desta etapa de trabalho, avaliamos que contempla os principais acúmulos e consensos sobre o aprimoramento da relação de contratação entre o poder público e as organizações da sociedade civil. Dentre seus pontos positivos, destacamos a adoção de um novo modelo de contratação em substituição ao convênio, o estabelecimento de regras claras quanto aos processos de publicidade, seleção e julgamento de propostas a serem contratadas, a adoção de mecanismo participativo de definição de temas e áreas de trabalho a serem financiadas, o foco e o compromisso das partes contratantes com o resultado (e não só com os processos burocráticos), bem como a simplificação e a melhoria da gestão, monitoramento e avaliação para execução dos acordos, incluindo a inovação relativa a estabelecer exigências diferenciadas de acordo com o volume de recursos aplicados . Em conjunto, tais inovações, reduzirão significativamente a atual insegurança jurídica e vão gerar maior eficácia e eficiência tanto para o Governo quanto para as OSCs.
Avaliamos também como positiva as propostas relacionadas ao monitoramento e avaliação dos contratos de fomento e colaboração, tendo em vista as exigências de rigor e transparência no que tange à aplicação de recursos públicos. Porém, consideramos essencial que sejam aperfeiçoados os mecanismos e ferramentas de prestação de contas hoje disponíveis, com simplificação, otimização e integração dos sistemas de controle de execução e produção de relatórios, no espírito do que foi sugerido na Oficina de Prestação de Contas promovida pela Casa Civil em maio. Mantidas as condições atuais de funcionamento do SICONV, as exigências de controle poderiam inviabilizar tanto o desenvolvimento de projetos por parte das OSCs quanto o trabalho de acompanhamento por parte dos servidores públicos responsáveis.
Entendemos também que estes ganhos inegáveis estarão melhor consolidados e gerarão mais impactos positivos caso o Projeto de Lei seja proposto como de âmbito nacional e não somente aplicável a esfera administrativa federal. Preocupa-nos também a provável lentidão do processo legislativo, o que requererá, da parte do Governo, um esforço e um empenho extraordinários de atuação junto ao Congresso Nacional. Nesse sentido, sugerimos que o executivo encaminhe o PL ao legislativo em regime de urgência.
Encaminhamos à Sra Lais Lopes alguns pontos para o aperfeiçoamento final da proposta da Projeto de Lei, dentre os quais destacamos: (1) melhor precisão na definição das entidades que de fato são de interesse público, especialmente em relação às cooperativas e associações de produção; (2) autorização de repasses advindos do Contrato de Fomento e Colaboração para grupos sociais de população de baixa renda, contemplando o importante trabalho das OSCs que mantém fundos de apoio a pequenos projetos.
Saudamos também a proposta de realização de uma consulta pública participativa sobre o Projeto de Lei, com vistas a aperfeiçoar a proposta e fortalecê-la como iniciativa do executivo respaldada pela consulta e colaboração da sociedade, quando do seu encaminhamento ao legislativo. De nossa parte, assumimos o compromisso de incentivar a participação na consulta e iniciar, concomitantemente, o diálogo com nossos representantes na Câmara e no Senado.
Ainda no que se refere ao aperfeiçoamento das relações de contratualização entre OSCs e governo federal, consideramos de grande relevância a minuta de Decreto Presidencial para alteração do Decreto nº 6.170, de 25 de julho de 2007, deixando clara a possibilidade de que os recursos públicos repassados às entidades privadas sem fins lucrativos podem ser utilizados para pagamento de despesas de pessoal previstas no plano de trabalho. Tendo em vista o tempo que a tramitação do PL no legislativo deve tomar, é crucial para as OSCs que essa lacuna das normas vigentes seja sanada. A promulgação do decreto representará um benefício imediato para as organizações, que tem enfrentado obstáculos para contar com seus próprios quadros, experientes e comprometidos com suas agendas, na execução de projetos de interesse público.
Finalmente, manifestamos também nossa adesão às propostas relacionadas (1) à criação de canal de uniformização de entendimentos, (2) à formação dos servidores públicos e de gestores de OSCs quanto a relação de parceria entre o Estado e as OSCs, assim como o (3) aperfeiçoamento das informações estatísticas e orçamentárias relativas às OSCs (desdobramento da modalidade 50 de aplicação orçamentária e a revisão da tabela de natureza jurídica da CONCLA e das classificações da CNAE), além da (4) realização de uma nova Pesquisa Nacional sobre Entidades Sem Fins Lucrativos.
Com relação às perspectivas de futuro, consideramos essencial manter o Grupo de Trabalho em funcionamento, garantindo o canal de diálogo da nossa Plataforma com diferentes segmentos do governo. O compromisso que a Presidenta Dilma Rousseff assumiu com as organizações da sociedade civil não foi ainda totalmente cumprido, tendo ficado ainda muito a descoberto a dimensão de políticas de fortalecimento e fomento do engajamento do cidadão e suas organizações em causas de interesse público.
Consideramos que o GT precisa desenvolver propostas de fontes de financiamento, juntamente com a ampliação e aperfeiçoamento dos processos, dos mecanismos e condições de acesso das OSCS aos fundos públicos, garantindo que todos os temas da agenda social e de interesse público sejam contemplados. A esse respeito, gostaríamos de externar também a nossa preocupação com a falta de notícias sobre encaminhamentos para a criação do fundo de apoio às organizações da sociedade civil, que o Ministro anunciou publicamente em março.
Temos também que desenhar e incrementar mecanismos de incentivo às doações de pessoas e empresas às organizações e as causas de interesse público. Temos que propor um regime tributário simplificado e adequado, que faça jus aos serviços públicos prestados pelas entidades sem fins lucrativos e, finalmente, aperfeiçoar e integrar os sistemas de certificação e os benefícios a que dão acesso. A focalização desses aspectos, num segundo seminário internacional que a SGPR já manifestou interesse em promover, aportará sem dúvida insumos para enfrentarmos essas tarefas, essenciais para contemplarmos a agenda proposta pela Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as OSCs.
A liderança e empenho da Presidência da Republica na articulação dessas iniciativas será sem dúvida recebida como sinal inconteste de que esta gestão de fato acredita que o fortalecimento das organizações da sociedade civil é essencial para a democracia e para o desenvolvimento social de nosso país.
Finalmente, gostaríamos de agradecer ao Ministro seu empenho e compromisso com a nossa causa, e em seu nome, à aguerrida equipe da SGPR e a todos os gestores e servidores que se envolveram em nossos trabalhos. Esperamos contar com sua presença na próxima reunião do nosso Grupo de Trabalho para que possamos juntos planejar nossos próximos passos.
Cordialmente,
Ademar Bertucci – Cáritas Brasileira
Adriana Ramos – Instituto Socioambiental / Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS)
Anna Cynthia Oliveira – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE)
Daniel Rech - União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária
Dora Silvia Cunha Bueno – Confederação Brasileira de Fundações (CEBRAF)
Eliana Rolemberg – Coordenadoria Ecumênica de Serviços (CESE) / Conselho Latino Americano de Igrejas – Regional Brasil
Henrique Lian – Instituto Ethos
José Antonio Moroni – Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC) / Plataforma pela Reforma Política
Sandra Maria Costa – Federação Nacional das APAES
Silvio Santana – Fundação Grupo Esquel do Brasil
Vera Masagão Ribeiro – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG)
Wellington Pereira da Silva – Visão Mundial / Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS)

Mais informações: http://www.plataformaosc.org.br/

terça-feira, 10 de julho de 2012

Carta Pedagógica da Recid Ceará



Ceará, Junho de 2012

“O gênero “carta” (...) estabelece um vínculo imediato entre quem escreve e quem lê. (...) ao mesmo tempo em que pode dirigir-se a um público maior, se dirige a cada um em particular. (...) expõe intimidade e convida a aproximação, à cumplicidade, ao diálogo. (...) não se presta ao discurso autoritário. (...) espera uma resposta, um gesto, a tomada de posição, o engajamento”. (Moacir Gadotti)

Companheiros(as) Educadores(as) Populares da Rede de Educação Cidadã, caríssimos(as) leitores(as),

Saúde, garra e conquistas!

É com animação, entusiasmo e comprometimento com a luta do povo que é, antes de tudo, nossa, que vos escrevemos para denunciar nossa realidade e ao mesmo tempo, indo na sua contramão, anunciar o nosso sentimento esperançoso por um mundo melhor. Denúnciar e anunciar, por entendermos que faz parte da nossa missão “o exercício constante da leitura de mundo que, demandando necessariamente a compreensão crítica dessa realidade, envolvem de um lado, sua denúncia, de outro anúncio do que ainda não existe”. Isso“implica em denunciar de como estamos vivendo e anunciar de como poderíamos viver, um pensamento esperançoso, por isso mesmo. Denunciar a realidade e anunciar um mundo melhor. Crendo que não é possível o anuncio sem a denuncia: dados concretos, leitura de mundo, e a nossa posição em face do que está ou vem sendo feito”.


Para tanto, gostaríamos de iniciar nos valendo da descrição do escritor Moacir Gadotti sobre o gênero carta, justificando o motivo e a importância da escolha pedagógica por este gênero para sistematizar a vivência da Rede no estado do Ceará, expondo, dialogando e refletindo sobre nossas realizações, desafios, limites, avanços e aprendizados neste primeiro semestre de 2012. Esperamos com esta, possibilitar a aproximação, o diálogo reflexivo e comprometido, e o vosso engajamento nas lutas populares, como descreve Gadotti, que não são só nossas enquanto estado, mas única e de todos(as) nós educadores(as) e militantes que anseiam por um Projeto Popular de Nação.   

Nossa caminhada cearense na construção do Poder Popular concretiza-se paulatinamente quando agregamos a nossa luta cotidiana e intensa, parceiros, parceiras e parcerias que se tecem e se arvoram a desafiar e discutir com o povo os grandes “gargalos” que interceptam nossa caminhada.

Desde o ano de 2011 optamos político e pedagogicamente por potencializar os educadores e os grupos de base com formações continuadas e itinerantes a fim de dar corpo, conhecer e dialogar as diferentes realidades regionais que compõem o cenário estadual. Esta dinâmica nos possibilita inserção, diagnóstico, diálogo e intervenção junto aos grupos de base através dos(as) educadores(as) de referencia dos coletivos de cada região.

Neste primeiro semestre de 2012 estamos realizando o nosso 3º Curso de Formação em Educação Popular abordando o tema da Comunicação Popular e os Movimentos Sociais Populares.

Por termos na Educação Popular Crítico-Freireana o diálogo como principal veículo de comunicação. Buscamos e promovemos a comunicação que informa, mas que também forma, como nos diz Freire: “Comunicação é co-participação dos sujeitos no ato de pensar. Implica numa reciprocidade que não pode ser rompida. O que caracteriza a comunicação enquanto este comunicar comunicando-se é que ela é DIÁLOGO, assim como o diálogo é COMUNICATIVO”.

Portanto o curso tem como objetivo construir e efetivar uma Comunicação Popular e Democrática. Comunicação esta que fortaleça os movimentos sociais e que esteja realmente “a serviço” da sociedade indo assim de encontro a efetivação da construção de um Projeto Popular para os(as) brasileiros(as). Com isso “reafirmamos o desejo de transformação e inserção social, consolidando a comunicação como um processsócio-poticcoletivdeconstrução do conhecimento, de humanizaçãode diálogode relações horizontalizadas e deexpressão da diversidade, à luz do seu Projeto Político Pedagógicocom formação prática eênfasna formação poticrumo à construção de práticas contra hegenicas e ao fortalecimento dpoder popular”.

O curso acontece no período de 30 de Março a 26 de Agosto de 2012. É valioso anunciar que a realização dos dois primeiros módulos envolveu parcerias importantes nas regiões Centro Sul e Jaguaribe que os sediaram. No Centro Sul, destacamos a 16ª CREDE/Iguatu, cedendo o seu laboratório de informática e o SINTSEF e a 18ª CRES que hospedaram os participantes durante os dias de formação. No Jaguaribe, tivemos como parceria a Escola Estadual de Educação Profissional Avelino Magalhães.

Mesmo sendo uma atividade da Rede Ceará, anunciamos ainda, a contribuição dos Educadores da Recid Paraíba na facilitação técnica das mídias web-rádio e blog e destacamos a importante participação da juventude, que protagonizaram os dois momentos, participando e interagindo com o processo da educação popular. 

Estamos certos que estes momentos contribuem na formação destes(as) jovens e educadores(as) que se contrapõem e desvelam a realidade,  denunciando as mazelas das grandes mídias que massificam e alienam a sociedade com sua “comunicação plastificada”, excludente e verticalizada.

É com essa óptica e dinâmica que gerimos desde 2011o nosso fazer pedagógico e político, tanto as oficinas quanto as atividades intermunicipais, dando um único corpo e cadeamento para enredar nossa história, unir e fortalecer nossos fios. Outro momento que vale relembrarmos logo no início deste semestre foi o exercício de reavaliaçãda nossa caminhada no último triênio que constituiu-se como maium marco na nossa trajetória, poirepresentou o esfode projetarmos o futuro da Rede (2012 a 2014) apartir do acúmulo das nossas experiências e debateetorno da nossa prática pedagica e política.

Olhamos para o nosso planejamentcoletivo 2011 e desenvolvemos um processo graduadavaliaçãdo 2º Programa NacionadFormação e daPoticadComunicação, Gestão e Organicidade, o que resultou num texto que tinha por objetivo sintetizareflees, propostas e orientar o debatsobre os nossos desafios enquanto Recid para o próximo período. Em janeiro, munido(as) deste texto debatemos no coletivo estadual e, no Encontro Macrorregional, na cidade de Pedro II, no Piauí, vimos brotar, da nossa luta, um novo Nordeste que foi forte rumo ao XI Encontro Nacional grávido do nosso esperançoso futuro problematizado.

Em março, no XI Encontro, Brasília/DF, parimos, num parto normal e coletivo, o nosso Plano Nacional de Formação e as diretrizes das nossas políticas para os anos que se aproximam. No mês seguinte, abril, definimos os primeiros cuidados com o recém-nascido durante a 1ª Reunião Ampliada 2012, onde na oportunidade, dialogamos com a equipe responsável pela Articulação política da Recid na Cúpula dos Povos encaminhando a participação de 02 educadores(as) por estado, educadores(as) estes(as) responsáveis por articular outros movimentos e comitês estaduais para potencializar a participação popular na cúpula. Outra deliberação foi a decisão de realizar uma roda de conversa sobre educação popular e o bem viver, onde apresentaríamos a atuação direta da Rede em defesa dos biomas brasileiros. Registramos aqui o equívoco da equipe em substituir a apresentação do bioma Caatinga pelo Serrado, não que um seja mais importante que o outro, mas que não nos pareceu uma construção legítima e em rede.

A Rede estadual, na tentativa de cumprir seu papel de articuladora e formadora, realizou atividades de cunho formativo junto aos movimentos, mas não conseguiu dialogar com o Comitê estadual, muito embora tenha tentado inúmeras vezes.

Outra luta que caracteriza a Recid em todo o estado é a mobilização e organização sociais voltadas para o exercício do controle das políticas públicas. Neste tocante muito se foi feito neste semestre. Além da participação nos fóruns e conselhos, em reuniões mensais, participamos, com a proposta de debater e inserir a pedagogia e metodologia da educação popular nos espaços onde se tencionam e disputam o poder, da Reunião Regional dos Conselheiros de Municipais de Saúde, com presença do Conselho Estadual de Saúde – CESAU, o que resultou no convite e participação da Rede no I Encontro Nordeste de Movimentos Populares em Saúde – MOPS, em Fortaleza, com presença dos estados do Pernambuco, Maranhão, Ceará e Bahia e do Representante do Ministério da Saúde, que discutiu a importância da Educação Popular Crítica Freireana e as possibilidades de contribuir com os movimentos populares em saúde.  

Neste semestre, incidimos ainda mais na Luta pela Convivência com o Semiárido, o que não data só deste período, pois histórico, cultural e geograficamente estamos envolvidos. Muito se tem o que anunciar: mudamos nosso pensamento de sermos flagelados, vítimas do infortúnio divino e de sermos produtos da chamada “indústria da seca”, mas ainda existem denúncias a serem feitas e enfrentadas. Este ano fomos assolados por uma violenta seca, considerada uma das maiores dos últimos 50 anos, que agrava a situação das famílias, principalmente as rurais, em todo o estado e, melhor dizendo em todos os estados que compõem o nosso semiárido brasileiro. Mesmo sabendo que não se combate a seca, nos empenhamos, mobilizamos e nos organizamos enquanto movimentos, fóruns, redes e articulações. Algumas das ações concretas deste semestre são a nossa contribuição na construção das cisternas do P1MC, onde com o nosso tom, nos propomos a realizar as formações, com ideias que culminem com um processo mais completo no tocante a socialização do programa, bem com na difusão das políticas públicas que garantem acesso á saúde, educação e moradia. Também estamos fortalecendo a juventude camponesa na produção agroecológica e no acompanhamento das ferias de sócio-economia solidária e na rede de ecoturismo comunitário na chapada do Araripe. Uma grata novidade é que desde o dia 14 de junho, na região do Cariri, estamos firmes na Coordenação do Fórum Araripense de Prevenção e Combate a Desertificação, que elencou priorizar lutas que nos desafiam e nos estimulam a enfrentá-las.

Enfim chegamos á Cúpula com o propósito de negar a chamada “Economia Verde”, proposta pela ONU como um modelo econômico e ambientalmente correto e sustentável, por entendê-la como a nova roupagem do Neoliberalismo e válvula de escape para o Capital se restabelecer. Entendemos a cúpula como “uma atividade que termina em si, mas um instrumento para uma construção mais ampla. Parte de um processo de mobilização internacional e procura avançar na construção de espaços de análise da conjuntura, construção de uma agenda comum e dar visibilidade as verdadeiras soluções vindas dos povos”. Neste tocante e com a proposta de dialogar e contribuir com os demais povos da cúpula, realizamos no dia 19, a nossa Roda de Conversa sobre a “Educação Popular e Bem Viver”, onde dançamos e dialogamos numa ciranda popular, comprometida e amorosa sobre as práticas e conceitos de uma vida “bem-vivida”.

Na MARCHA DOS POVOS, encorpamos e ressoamos em uma só voz, por mais que fosse a várias línguas e sons, um apelo pela vida do planeta. Ressaltando aqui que fomos impedidos de participar do Ato na Vila Autódromo pela parte da manhã do mesmo dia, o que não anulou a grandiosidade da articulação dos movimentos em marcha. Mas, registramos aqui o nosso repúdio.

Foi assim que analisamos o que foi, é e, continuará sendo, se for necessário, o clamor humano e ecológico por um novo projeto para a humanidade e o planeta. Projeto este que nega o Capital em suas várias facetas, inclusive a pintada de verde.

Certos e certas de que “Mudar é difícil, mas é possível” e da necessidade de continuarmos na militância, que nos convoca a cada nascer do sol a lutar pelo anúncio desse mundo sonhado e possível, estamos atentos e fortes na perspectiva de construção do Poder Popular, ousando sonhá-lo, mesmo sabendo que “na verdade, a transformação do mundo a que sonhamos e aspiramos é um ato político e seria ingenuidade não reconhecer que os sonhos têm seus contra-sonhos”.

Cordiais saudações,

Educadores e Educadoras da Rede de Educação Cidadã – Ceará.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Seca no Cariri


Cariri – Ceará, Junho de 2012

Companheiros(as) da Recid

O semiárido nordestino enfrenta a maior estiagem dos últimos 50 anos. Aqui no Cariri cearense, onde atuamos desde 2007, a Recid priorizou dentre outras ações, o acompanhamento ás comunidades rurais negras ou quilombolas. A chuva não veio e com isso as cisternas de placas e calçadão não acumularam água (em algumas regiões choveu apenas 16 mm, quando a média em inverno regular é de 600 mm). Especificamente Salitre, cidade da região, onde a base de economia é acultura da mandioca e onde se concentra o maior número de comunidades negras, os plantios não vingaram e as roças de milho e feijão se perderam ante a falta de chuva.

Estamos solidários ao nosso povo e com eles queremos partilhar nossa vivência enquanto Educadores Populares ás suas experiências de vida, cheia de labuta, sabedoria e maestria na lida com o cotidiano. Onde podemos nos encontrar enquanto Rede para prestarmos solidariedade a esses irmãos? Que ações podemos implementar que não caiam no mero assistencialismo que ganhou concretude na “indústria da seca”, mas que aponte horizontes amplos e sustentáveis? Não imaginem o que representa na casa do agricultor, lá na pontinha, que com sua roça alimenta-se, vê-se sem o feijão na panela, sem a água para beber e dá de beber.

O velho êxodo apresenta-se como solução, migrar para os grandes cortes e cana, colheitas de safras da fruticultura, deixando relações sólidas com o seu lugar e seu povo, para submetercer-se aos planos gananciosos e temporais dos grandes empreendimentos do capital.

É duro, companheiros e companheiras, sentir-se impotente ante tanta judiação.

Em quantos podemos nos desdobrar? Quais os passos mais próximos e emergenciais daremos para amainar esse quadro desolador?

Unamo-nos, reflitamos e sugiramos.

Abraços fraternos,


João do Crato – Artista Popular e Educador social da Recid Ceará.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Participação e contribuição da Recid Ceará na Cúpula dos Povos na Rio + 20 por uma justiça social e ambiental.



“O ideal, a utopia faz parte da realidade”
Edgar Morin

Com o propósito de negar a chamada “Economia Verde”, proposta pela ONU como um modelo econômico e ambientalmente correto e sustentável, por entendê-la como a nova roupagem do Neoliberalismo e válvula de escape para o Capital se restabelecer a Rede de Educação Cidadã (Recid) participou e contribuiu com a “Cúpula dos Povos na Rio + 20 por uma justiça social e ambiental” nos dias 19 a 22 de junho de 2012 na cidade do Rio de Janeiro.

A Recid entende que “a Cúpula não é uma atividade que termina em si, mas um instrumento para uma construção mais ampla. Parte de um processo de mobilização internacional e procura avançar na construção de espaços de análise da conjuntura, construção de uma agenda comum e dar visibilidade as verdadeiras soluções vindas dos povos”. Neste tocante e com a proposta de dialogar e contribuir com os demais povos da cúpula, realizamos no dia 19, uma Roda de Conversa com o tema “Educação Popular e Bem Viver”, onde a Rede Nacional, com presença representativa de todos os estados, coletivo nacional, convidados e outros que se encantaram com nossa ciranda popular, dialogaram comprometida e amorosamente sobre as práticas e conceitos de uma vida “bem-vivida”.

O diálogo se deu a partir de experiências concretas, denunciando o modelo de desenvolvimento predatório nos biomas brasileiros e anunciando práticas e aprendizados que apontam para um novo modelo de convivência a partir dos parâmetros de sustentabilidade e respeito à sóciobiodivesidade na Amazônia, Cerrado e nos biomas brasileiros.

Estiveram na roda, além dos educadores e os mais diversos povos que se juntavam na nossa circularidade, o Ministro Gilberto Carvalho, a Presidente do CONSEA – Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Maria Emília e escritor e teólogo, Marcelo Barros, que nos entusiasmou com seus falar e expressar popular sobre o que é o bem viver nas diferentes culturas e modos de vida e a importância e o papel da educação popular essa vivência
Na dinâmica das apresentações, o nosso bioma, a Caatinga, foi introduzido com uma fala legítima e coerente de um convivente do semiárido, o Educador Popular cearense, Cícero Chagas, o “Ciçô”, que referencia o enfrentamento a indústria da seca, velha conhecida de nós sertanejos nordestino, que alinhava todas as searas da nossa militância sejam elas política, histórica e cultural, e anuncia que para lutar e vivenciar o bem viver no nosso chão, devemos seguir os preceitos do Pe. Cícero, seguidor de Ibiapina, que foram entoados em coro por todos os estados do Nordeste.  

No dia 20 encorpamos e ressoamos em uma só voz, por mais que fosse a várias línguas e sons, um apelo pela vida do planeta na grande MARCHA DA CÚPULA DOS POVOS E AINDA. Ressaltando aqui que fomos impedidos de participar do Ato na Vila Autódromo pela parte da manhã do mesmo dia, o que não anulou a grandiosidade da articulação dos movimentos em marcha. Mas, registramos aqui o nosso repúdio.

No dia 21, além das várias atividades autogestionadas, como aconteceu em todos os dias da Cúpula, juntamos nossos fios na Palestra do escritor e Teólogo Leonardo Boff, que somou numa só mesa com jovens latino-americanos (Bolívia, Peru e Guatemala), constituindo um diálogo intergeracional e cultural sobre as práticas do Bem Viver;

Dia 22, último da concentração da Cúpula, mas não do seu propósito, pois como acima expressamos, ela não se encerra neste ato, indo muito além destes dias reunidos, aconteceu a plenária final, onde os movimentos e povos ali presentes agendaram atividades, unificando-as para potencializar os fazeres para o bem comum do planeta.

Este é um relato mínimo do que foi, é e, continuará sendo, se for necessário, o clamor humano e ecológico por um novo projeto para a humanidade e o planeta. Projeto este que nega o Capital em suas várias facetas, inclusive a pintada de verde.