"A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria". Paulo Freire

terça-feira, 10 de julho de 2012

Carta Pedagógica da Recid Ceará



Ceará, Junho de 2012

“O gênero “carta” (...) estabelece um vínculo imediato entre quem escreve e quem lê. (...) ao mesmo tempo em que pode dirigir-se a um público maior, se dirige a cada um em particular. (...) expõe intimidade e convida a aproximação, à cumplicidade, ao diálogo. (...) não se presta ao discurso autoritário. (...) espera uma resposta, um gesto, a tomada de posição, o engajamento”. (Moacir Gadotti)

Companheiros(as) Educadores(as) Populares da Rede de Educação Cidadã, caríssimos(as) leitores(as),

Saúde, garra e conquistas!

É com animação, entusiasmo e comprometimento com a luta do povo que é, antes de tudo, nossa, que vos escrevemos para denunciar nossa realidade e ao mesmo tempo, indo na sua contramão, anunciar o nosso sentimento esperançoso por um mundo melhor. Denúnciar e anunciar, por entendermos que faz parte da nossa missão “o exercício constante da leitura de mundo que, demandando necessariamente a compreensão crítica dessa realidade, envolvem de um lado, sua denúncia, de outro anúncio do que ainda não existe”. Isso“implica em denunciar de como estamos vivendo e anunciar de como poderíamos viver, um pensamento esperançoso, por isso mesmo. Denunciar a realidade e anunciar um mundo melhor. Crendo que não é possível o anuncio sem a denuncia: dados concretos, leitura de mundo, e a nossa posição em face do que está ou vem sendo feito”.


Para tanto, gostaríamos de iniciar nos valendo da descrição do escritor Moacir Gadotti sobre o gênero carta, justificando o motivo e a importância da escolha pedagógica por este gênero para sistematizar a vivência da Rede no estado do Ceará, expondo, dialogando e refletindo sobre nossas realizações, desafios, limites, avanços e aprendizados neste primeiro semestre de 2012. Esperamos com esta, possibilitar a aproximação, o diálogo reflexivo e comprometido, e o vosso engajamento nas lutas populares, como descreve Gadotti, que não são só nossas enquanto estado, mas única e de todos(as) nós educadores(as) e militantes que anseiam por um Projeto Popular de Nação.   

Nossa caminhada cearense na construção do Poder Popular concretiza-se paulatinamente quando agregamos a nossa luta cotidiana e intensa, parceiros, parceiras e parcerias que se tecem e se arvoram a desafiar e discutir com o povo os grandes “gargalos” que interceptam nossa caminhada.

Desde o ano de 2011 optamos político e pedagogicamente por potencializar os educadores e os grupos de base com formações continuadas e itinerantes a fim de dar corpo, conhecer e dialogar as diferentes realidades regionais que compõem o cenário estadual. Esta dinâmica nos possibilita inserção, diagnóstico, diálogo e intervenção junto aos grupos de base através dos(as) educadores(as) de referencia dos coletivos de cada região.

Neste primeiro semestre de 2012 estamos realizando o nosso 3º Curso de Formação em Educação Popular abordando o tema da Comunicação Popular e os Movimentos Sociais Populares.

Por termos na Educação Popular Crítico-Freireana o diálogo como principal veículo de comunicação. Buscamos e promovemos a comunicação que informa, mas que também forma, como nos diz Freire: “Comunicação é co-participação dos sujeitos no ato de pensar. Implica numa reciprocidade que não pode ser rompida. O que caracteriza a comunicação enquanto este comunicar comunicando-se é que ela é DIÁLOGO, assim como o diálogo é COMUNICATIVO”.

Portanto o curso tem como objetivo construir e efetivar uma Comunicação Popular e Democrática. Comunicação esta que fortaleça os movimentos sociais e que esteja realmente “a serviço” da sociedade indo assim de encontro a efetivação da construção de um Projeto Popular para os(as) brasileiros(as). Com isso “reafirmamos o desejo de transformação e inserção social, consolidando a comunicação como um processo sócio-político coletivo deconstrução do conhecimento, de humanização, de diálogo, de relações horizontalizadas e deexpressão da diversidade, à luz do seu Projeto Político Pedagógico, com formação prática eênfase na formação política rumo à construção de práticas contra hegemônicas e ao fortalecimento do poder popular”.

O curso acontece no período de 30 de Março a 26 de Agosto de 2012. É valioso anunciar que a realização dos dois primeiros módulos envolveu parcerias importantes nas regiões Centro Sul e Jaguaribe que os sediaram. No Centro Sul, destacamos a 16ª CREDE/Iguatu, cedendo o seu laboratório de informática e o SINTSEF e a 18ª CRES que hospedaram os participantes durante os dias de formação. No Jaguaribe, tivemos como parceria a Escola Estadual de Educação Profissional Avelino Magalhães.

Mesmo sendo uma atividade da Rede Ceará, anunciamos ainda, a contribuição dos Educadores da Recid Paraíba na facilitação técnica das mídias web-rádio e blog e destacamos a importante participação da juventude, que protagonizaram os dois momentos, participando e interagindo com o processo da educação popular. 

Estamos certos que estes momentos contribuem na formação destes(as) jovens e educadores(as) que se contrapõem e desvelam a realidade,  denunciando as mazelas das grandes mídias que massificam e alienam a sociedade com sua “comunicação plastificada”, excludente e verticalizada.

É com essa óptica e dinâmica que gerimos desde 2011o nosso fazer pedagógico e político, tanto as oficinas quanto as atividades intermunicipais, dando um único corpo e cadeamento para enredar nossa história, unir e fortalecer nossos fios. Outro momento que vale relembrarmos logo no início deste semestre foi o exercício de reavaliação da nossa caminhada no último triênio que constituiu-se como mais um marco na nossa trajetória, pois representou o esforço de projetarmos o futuro da Rede (2012 a 2014) apartir do acúmulo das nossas experiências e debates em torno da nossa prática pedagógica e política.

Olhamos para o nosso planejamento coletivo 2011 e desenvolvemos um processo gradual de avaliação do 2º Programa Nacional de Formação e das Políticas de Comunicação, Gestão e Organicidade, o que resultou num texto que tinha por objetivo sintetizar reflexões, propostas e orientar o debate sobre os nossos desafios enquanto Recid para o próximo período. Em janeiro, munido(as) deste texto debatemos no coletivo estadual e, no Encontro Macrorregional, na cidade de Pedro II, no Piauí, vimos brotar, da nossa luta, um novo Nordeste que foi forte rumo ao XI Encontro Nacional grávido do nosso esperançoso futuro problematizado.

Em março, no XI Encontro, Brasília/DF, parimos, num parto normal e coletivo, o nosso Plano Nacional de Formação e as diretrizes das nossas políticas para os anos que se aproximam. No mês seguinte, abril, definimos os primeiros cuidados com o recém-nascido durante a 1ª Reunião Ampliada 2012, onde na oportunidade, dialogamos com a equipe responsável pela Articulação política da Recid na Cúpula dos Povos encaminhando a participação de 02 educadores(as) por estado, educadores(as) estes(as) responsáveis por articular outros movimentos e comitês estaduais para potencializar a participação popular na cúpula. Outra deliberação foi a decisão de realizar uma roda de conversa sobre educação popular e o bem viver, onde apresentaríamos a atuação direta da Rede em defesa dos biomas brasileiros. Registramos aqui o equívoco da equipe em substituir a apresentação do bioma Caatinga pelo Serrado, não que um seja mais importante que o outro, mas que não nos pareceu uma construção legítima e em rede.

A Rede estadual, na tentativa de cumprir seu papel de articuladora e formadora, realizou atividades de cunho formativo junto aos movimentos, mas não conseguiu dialogar com o Comitê estadual, muito embora tenha tentado inúmeras vezes.

Outra luta que caracteriza a Recid em todo o estado é a mobilização e organização sociais voltadas para o exercício do controle das políticas públicas. Neste tocante muito se foi feito neste semestre. Além da participação nos fóruns e conselhos, em reuniões mensais, participamos, com a proposta de debater e inserir a pedagogia e metodologia da educação popular nos espaços onde se tencionam e disputam o poder, da Reunião Regional dos Conselheiros de Municipais de Saúde, com presença do Conselho Estadual de Saúde – CESAU, o que resultou no convite e participação da Rede no I Encontro Nordeste de Movimentos Populares em Saúde – MOPS, em Fortaleza, com presença dos estados do Pernambuco, Maranhão, Ceará e Bahia e do Representante do Ministério da Saúde, que discutiu a importância da Educação Popular Crítica Freireana e as possibilidades de contribuir com os movimentos populares em saúde.  

Neste semestre, incidimos ainda mais na Luta pela Convivência com o Semiárido, o que não data só deste período, pois histórico, cultural e geograficamente estamos envolvidos. Muito se tem o que anunciar: mudamos nosso pensamento de sermos flagelados, vítimas do infortúnio divino e de sermos produtos da chamada “indústria da seca”, mas ainda existem denúncias a serem feitas e enfrentadas. Este ano fomos assolados por uma violenta seca, considerada uma das maiores dos últimos 50 anos, que agrava a situação das famílias, principalmente as rurais, em todo o estado e, melhor dizendo em todos os estados que compõem o nosso semiárido brasileiro. Mesmo sabendo que não se combate a seca, nos empenhamos, mobilizamos e nos organizamos enquanto movimentos, fóruns, redes e articulações. Algumas das ações concretas deste semestre são a nossa contribuição na construção das cisternas do P1MC, onde com o nosso tom, nos propomos a realizar as formações, com ideias que culminem com um processo mais completo no tocante a socialização do programa, bem com na difusão das políticas públicas que garantem acesso á saúde, educação e moradia. Também estamos fortalecendo a juventude camponesa na produção agroecológica e no acompanhamento das ferias de sócio-economia solidária e na rede de ecoturismo comunitário na chapada do Araripe. Uma grata novidade é que desde o dia 14 de junho, na região do Cariri, estamos firmes na Coordenação do Fórum Araripense de Prevenção e Combate a Desertificação, que elencou priorizar lutas que nos desafiam e nos estimulam a enfrentá-las.

Enfim chegamos á Cúpula com o propósito de negar a chamada “Economia Verde”, proposta pela ONU como um modelo econômico e ambientalmente correto e sustentável, por entendê-la como a nova roupagem do Neoliberalismo e válvula de escape para o Capital se restabelecer. Entendemos a cúpula como “uma atividade que termina em si, mas um instrumento para uma construção mais ampla. Parte de um processo de mobilização internacional e procura avançar na construção de espaços de análise da conjuntura, construção de uma agenda comum e dar visibilidade as verdadeiras soluções vindas dos povos”. Neste tocante e com a proposta de dialogar e contribuir com os demais povos da cúpula, realizamos no dia 19, a nossa Roda de Conversa sobre a “Educação Popular e Bem Viver”, onde dançamos e dialogamos numa ciranda popular, comprometida e amorosa sobre as práticas e conceitos de uma vida “bem-vivida”.

Na MARCHA DOS POVOS, encorpamos e ressoamos em uma só voz, por mais que fosse a várias línguas e sons, um apelo pela vida do planeta. Ressaltando aqui que fomos impedidos de participar do Ato na Vila Autódromo pela parte da manhã do mesmo dia, o que não anulou a grandiosidade da articulação dos movimentos em marcha. Mas, registramos aqui o nosso repúdio.

Foi assim que analisamos o que foi, é e, continuará sendo, se for necessário, o clamor humano e ecológico por um novo projeto para a humanidade e o planeta. Projeto este que nega o Capital em suas várias facetas, inclusive a pintada de verde.

Certos e certas de que “Mudar é difícil, mas é possível” e da necessidade de continuarmos na militância, que nos convoca a cada nascer do sol a lutar pelo anúncio desse mundo sonhado e possível, estamos atentos e fortes na perspectiva de construção do Poder Popular, ousando sonhá-lo, mesmo sabendo que “na verdade, a transformação do mundo a que sonhamos e aspiramos é um ato político e seria ingenuidade não reconhecer que os sonhos têm seus contra-sonhos”.

Cordiais saudações,

Educadores e Educadoras da Rede de Educação Cidadã – Ceará.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Seca no Cariri


Cariri – Ceará, Junho de 2012

Companheiros(as) da Recid

O semiárido nordestino enfrenta a maior estiagem dos últimos 50 anos. Aqui no Cariri cearense, onde atuamos desde 2007, a Recid priorizou dentre outras ações, o acompanhamento ás comunidades rurais negras ou quilombolas. A chuva não veio e com isso as cisternas de placas e calçadão não acumularam água (em algumas regiões choveu apenas 16 mm, quando a média em inverno regular é de 600 mm). Especificamente Salitre, cidade da região, onde a base de economia é acultura da mandioca e onde se concentra o maior número de comunidades negras, os plantios não vingaram e as roças de milho e feijão se perderam ante a falta de chuva.

Estamos solidários ao nosso povo e com eles queremos partilhar nossa vivência enquanto Educadores Populares ás suas experiências de vida, cheia de labuta, sabedoria e maestria na lida com o cotidiano. Onde podemos nos encontrar enquanto Rede para prestarmos solidariedade a esses irmãos? Que ações podemos implementar que não caiam no mero assistencialismo que ganhou concretude na “indústria da seca”, mas que aponte horizontes amplos e sustentáveis? Não imaginem o que representa na casa do agricultor, lá na pontinha, que com sua roça alimenta-se, vê-se sem o feijão na panela, sem a água para beber e dá de beber.

O velho êxodo apresenta-se como solução, migrar para os grandes cortes e cana, colheitas de safras da fruticultura, deixando relações sólidas com o seu lugar e seu povo, para submetercer-se aos planos gananciosos e temporais dos grandes empreendimentos do capital.

É duro, companheiros e companheiras, sentir-se impotente ante tanta judiação.

Em quantos podemos nos desdobrar? Quais os passos mais próximos e emergenciais daremos para amainar esse quadro desolador?

Unamo-nos, reflitamos e sugiramos.

Abraços fraternos,


João do Crato – Artista Popular e Educador social da Recid Ceará.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Participação e contribuição da Recid Ceará na Cúpula dos Povos na Rio + 20 por uma justiça social e ambiental.



“O ideal, a utopia faz parte da realidade”
Edgar Morin

Com o propósito de negar a chamada “Economia Verde”, proposta pela ONU como um modelo econômico e ambientalmente correto e sustentável, por entendê-la como a nova roupagem do Neoliberalismo e válvula de escape para o Capital se restabelecer a Rede de Educação Cidadã (Recid) participou e contribuiu com a “Cúpula dos Povos na Rio + 20 por uma justiça social e ambiental” nos dias 19 a 22 de junho de 2012 na cidade do Rio de Janeiro.

A Recid entende que “a Cúpula não é uma atividade que termina em si, mas um instrumento para uma construção mais ampla. Parte de um processo de mobilização internacional e procura avançar na construção de espaços de análise da conjuntura, construção de uma agenda comum e dar visibilidade as verdadeiras soluções vindas dos povos”. Neste tocante e com a proposta de dialogar e contribuir com os demais povos da cúpula, realizamos no dia 19, uma Roda de Conversa com o tema “Educação Popular e Bem Viver”, onde a Rede Nacional, com presença representativa de todos os estados, coletivo nacional, convidados e outros que se encantaram com nossa ciranda popular, dialogaram comprometida e amorosamente sobre as práticas e conceitos de uma vida “bem-vivida”.

O diálogo se deu a partir de experiências concretas, denunciando o modelo de desenvolvimento predatório nos biomas brasileiros e anunciando práticas e aprendizados que apontam para um novo modelo de convivência a partir dos parâmetros de sustentabilidade e respeito à sóciobiodivesidade na Amazônia, Cerrado e nos biomas brasileiros.

Estiveram na roda, além dos educadores e os mais diversos povos que se juntavam na nossa circularidade, o Ministro Gilberto Carvalho, a Presidente do CONSEA – Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Maria Emília e escritor e teólogo, Marcelo Barros, que nos entusiasmou com seus falar e expressar popular sobre o que é o bem viver nas diferentes culturas e modos de vida e a importância e o papel da educação popular essa vivência
Na dinâmica das apresentações, o nosso bioma, a Caatinga, foi introduzido com uma fala legítima e coerente de um convivente do semiárido, o Educador Popular cearense, Cícero Chagas, o “Ciçô”, que referencia o enfrentamento a indústria da seca, velha conhecida de nós sertanejos nordestino, que alinhava todas as searas da nossa militância sejam elas política, histórica e cultural, e anuncia que para lutar e vivenciar o bem viver no nosso chão, devemos seguir os preceitos do Pe. Cícero, seguidor de Ibiapina, que foram entoados em coro por todos os estados do Nordeste.  

No dia 20 encorpamos e ressoamos em uma só voz, por mais que fosse a várias línguas e sons, um apelo pela vida do planeta na grande MARCHA DA CÚPULA DOS POVOS E AINDA. Ressaltando aqui que fomos impedidos de participar do Ato na Vila Autódromo pela parte da manhã do mesmo dia, o que não anulou a grandiosidade da articulação dos movimentos em marcha. Mas, registramos aqui o nosso repúdio.

No dia 21, além das várias atividades autogestionadas, como aconteceu em todos os dias da Cúpula, juntamos nossos fios na Palestra do escritor e Teólogo Leonardo Boff, que somou numa só mesa com jovens latino-americanos (Bolívia, Peru e Guatemala), constituindo um diálogo intergeracional e cultural sobre as práticas do Bem Viver;

Dia 22, último da concentração da Cúpula, mas não do seu propósito, pois como acima expressamos, ela não se encerra neste ato, indo muito além destes dias reunidos, aconteceu a plenária final, onde os movimentos e povos ali presentes agendaram atividades, unificando-as para potencializar os fazeres para o bem comum do planeta.

Este é um relato mínimo do que foi, é e, continuará sendo, se for necessário, o clamor humano e ecológico por um novo projeto para a humanidade e o planeta. Projeto este que nega o Capital em suas várias facetas, inclusive a pintada de verde.

domingo, 27 de maio de 2012

Recid Ceará - 2º Módulo do Curso de Educação Popular





"A história em que me faço com os outros (...)
É um tempo de possibilidades
E não de determinismo.
Se não houver esperança,
Não tem por que continuar o histórico”.
        Paulo freire

“A conjuntura e a ideologia postas no campo da comunicação reforçam uma mídia que nunca esteve e não está a serviço da emancipação dos povos, pois sempre favoreceu a elite brasileira detentora desses meios. Neste sentido, podemos considerar que a Política de Comunicação do país não avança para o enfrentamento da concentração e a quebra do monopólio da mídia no Brasil. Atualmente a mídia tem uma estratégia clara de inversão dos fatos e de criminalização das lutas e dos movimentos sociais, tendência que o governo parece não optar por reverter.

Neste cenário, a Rede de Educação Cidadã tem fomentado a formação política no campo da comunicação popular e a apropriação dos instrumentos tecnológicos, a partir da realidade regional considerando a sua diversidade.

A política de comunicação precisa preparar e formar os/as educadores/as no campo teórico e prático numa perspectiva multiplicadora que prime pelo aspecto qualitativo e político, avançando na politização da sociedade para utilização dos meios de comunicação.

É certo que avançamos, mas há ainda muitos desafios a serem enfrentados. Sendo assim é importante não só dá visibilidade às ações da Recid, mas fortalecer e, sobretudo, dar visibilidades às lutas dos movimentos. É preciso considerar que são os movimentos que dão vida a Recid”.

No estado do Ceará, na vivência da mesma conjuntura nacional, segue os princípios e diretrizes da Política de Comunicação Nacional da Rede, como também é iluminado pelo nosso PPP. É certo que também avançamos nessa política com a criação e utilização de algumas ferramentas que viabilizam esse processo comunicativo. No entanto a comunicação da Rede não se efetiva apenas com a criação e utilização destes veículos. É preciso ir além. Além de visibilizar nossas ações, de desempenhar o papel informativo, temos também a premissa da formação político-ideológica. É a partir da constatação do desempenhar deste processo que estaremos cumprindo o objetivo desta política, que é antes de tudo, dos movimentos e das lutas populares.


Com o tema “Organização Social Popular e as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) – Produção e manutenção de BLOGs”, a Recid Ceará realiza o 2º módulo do Curso de Formação em Educação Popular. 


Esta fase acontece nos dias 25 a 27 de maio no laboratório da Escola Estadual de Ensino Profissionalizante Avelino Magalhães, Tabuleiro do Norte – Ceará, que participa desta construção como parceira da Recid. 

Outra parceria importante é o diálogo mantido com a Recid Paraíba, que envia o jovem educador popular e técnico em informática, Robson Lins, de Cajazeiras, para contribuir com a parte prática da criação e manutenção de blog.

O objetivo deste módulo é buscar a apropriação de outras formas de comunicação como as TIC’s para o fortalecimento dos movimentos populares indo de encontro à proposta de uma comunicação ideológica e politicamente contra-hegemônica.

O público deste segundo momento não difere do perfil do anterior, bastante heterogêneo, e presença massificante de jovens, assíduos usuários destas redes, que são desafiados a construir junto com a Rede e os movimentos que a compõem, uma comunicação segundo os princípios da educação popular, que pressupõe transformação e liberdade.


“Comunicação é co-participação dos sujeitos no ato de pensar. Implica numa reciprocidade que não pode ser rompida. O que caracteriza a comunicação enquanto este comunicar comunicando-se é que ela é DIÁLOGO, assim como o diálogo é COMUNICATIVO”

Paulo Freire


RECID CE

quinta-feira, 24 de maio de 2012

MOPS – Movimento Popular de Saúde do Ceará realiza o seu I Encontro Macro Nordeste


O MOPS Ceará realizou nestes dias 11 e 12 de maio, em Fortaleza, o seu I Encontro Macro Nordeste com participação dos estados do Pernambuco, Maranhão e Bahia, com participação também do representante da Secretaria de Gestão Estratégia e Participativa do Ministério da Saúde e do Conselho Estadual de Saúde do Ceará – CESAU, Representante do MOPS Nacional, Livaldo Bento – Paraná, e, se o assunto era Educação Popular e melhoria da vida dos cidadãos e cidadãs cearenses, lá estava presente também a Recid Ceará.

O início do Encontro se deu com as boas vindas pelo pessoal da casa (Assessoria do CESAU) que acolheram os convidados com o velho e aconchegante estilo cearense, seqüenciada pelas falas dos atores responsáveis pelo evento.

No amanhecer á beira mar de Iracema, fomos acolhidos por uma bem-vinda chuva em toda a capital cearense, o que atrasou um pouco o início dos trabalhos do dia 12, mas sem prejudicar a riqueza que dialógica que foi a Conferência Magna, abordando o tema: A política de gestão Democrática e Participativa no contexto da diversidade dos sujeitos no SUS pelo companheiroReginaldo Alves Chagas – DAGEP/MS, que dialogou com os movimentos do MOPS a respeito da “democrática participação” dos populares nas políticas e espaços no âmbito do Sistema Único de Saúde. Tal debate foi bastante caloroso. Segue algumas falas:
“Não existe efetivação do Controle Social, já que a Gestão é quem controla e engessa o processo participativo dos populares” Nino – MOPS/CE. 

Após a Conferência, aconteceram Mesas Redondas, sendo a primeira acerca da Comunicação e Informação do Direito a Saúde para as Comunidades Tradicionais no Nordeste, também pelo representante da DAGEP/MS seqüenciada por debate onde os movimentos trouxeram suas impressões e a realidade dos estados participantes.
No período da tarde vivenciamos a partir das experiências dos estados a atuação do MOPS no Nordeste do Brasil fortalecendo as práticas Populares de Saúde, que seguiu na seqüência:
Representação MOPS – Pernambuco
Representação MOPS – Bahia
Representação MOPS Ceará 


Outra Mesa abordou o tema da Educação Popular em Saúde, onde foi apresentada a Política Nacional de Educação Popular em Saúde, que apresenta seus objetivos, eixos estratégicos, responsabilidades e compromissos dos segmentos de Governo. Diga-se de passagem, que esta mesa foi bastante rica em proposições que certamente contribuirá para a Política em questão.

Para finalizar o encontro com perspectivas de novas trilhas e parcerias, reafirmamos o compromisso dos MOPS e da Recid em Defesa dos Direitos a Saúde com Qualidade, e aprovamos “A Carta do Ceará” que traz em síntese toda a abordagem e diálogo e desafios e vontades dos Movimentos Populares em Saúde do Ceará.


Gilson Lucena - RECID CE